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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Sexualidade e Orientação Sexual - Psicólogo René Schubert

Violência nas Escolas - Veiculado pela JustTV - 05/04/10








Bem Viver com Regina Pastore debate a violência nas escolas e possíveis alternativas para melhorar as relações entre professores e alunos, pais e filhos.

Entrevista com o psicólogo infantil René Schubert, com a psicanalista Teresa Haudenschild, com a psicopedagoga Maria Emília Zappa e com a pedagoga Solange Souza.

Contato com René Schubert: schubert_rene@hotmail.com

Psicopatologia: Psicose e Loucura

Entrevista com psicologo René Schubert abordando o tratamento de pacientes psiquiatricos - pela Just TV, no programa Bem Viver, entrevistadora Regina Pastore

Tratamento das Psicoses - Video

Como Tratar os Psicóticos no Programa Bem Viver Com Regina Pastore - 
Veiculado pela JustTV - 26/10/09 

 O Programa Bem Viver com Regina Pastore pela JustTV apresenta o tema: "Como tratar os psicóticos?". A apresentadora e seus convidados conversam sobre os sintomas da psicose, os tratamentos, o acompanhamento terapêutico para psicóticos, uma orientação para as famílias de psicóticos, um panorama histórico sobre a questão da loucura, a questão da desinstitucionalização e um questionamento filosófico a respeito da doença mental.

Entrevista com os psicólogos René Schubert e Edilson da Silva, Ana Regina Sardinha e a psiquiatra Ana Taveira.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Consumismo Compulsivo

Consumismo desenfreado pode ser um distúrbio psicológico:

 http://www.guiadabusca.com.br/noticias/529-consumismo-desenfreado-pode-ser-um-disturbio-psicologico.html

Fonte: Guia da Busca

Transtornos Mentais e afastamento do Trabalho

 Transtornos mentais são a terceira causa de afastamento do trabalho 

Dores, formigamento, aperto no peito, mal estar e desânimo podem ser sintomas de depressão, ansiedade ou estresse. A maioria das pessoas não percebe que está doente.

Fonte: youtube e Globo TV





sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A passagem de ano e suas consequencias: uma reflexão


 (Victoria Island - Canadá)


O final do ano, geralmente brindado com os festejos de Natal e a noite de ano novo, é visto de maneira geral como um período alegre e de união. As pessoas procuram deixar as diferenças e dificuldades de lado para comungar com quem está próximo, contribuindo para que haja um “bem-estar” geral.  As festas, geralmente realizadas na companhia de familiares e amigos,são acompanhadas de comidas e bebidas típicas, trocas de presentes e gentilezas. Novas promessas e metas são estabelecidas ou mantidas; são realizados diversos rituais típicos da passagem do ano: “Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo...”

Pode-se dizer que os meses de novembro e dezembro,“o preparatório” e “o último mês do ano”, respectivamente, são meses de alegre expectativa, reencontros, animados festejos, empolgação, amizade e felicidade. Entretanto, isto não é uma verdade para todas as pessoas.

Os meses de novembro e dezembro costumam ser, para muitas pessoas, o período do ano em que estas iniciam tratamento psicoterapêutico no consultório. Durantes os quatro anos em que atuei no hospital psiquiátrico, pude observar que nos meses de novembro a janeiro, o hospital e clínica psiquiátrica trabalhavam com praticamente todos os leitos ocupados. Pacientes com quadros depressivos, psicóticos e dependentes químicos eram a maioria.

Este é um período em que muitos pacientes têm crises depressivas ou surtos psicóticos. Outros abusam excessivamente do álcool ou de outras substâncias, tornando-se inconsequentes e denunciando, desta forma, que algo não está muito bem internamente.

Para ilustrar este fenômeno, transcreverei algumas das falas de meus pacientes de consultório referentes a este período de final de ano: “Não é minha época preferida não; na verdade odeio”; “Não consigo ficar sorrindo e achando tudo lindo, acho muito hipócrita”; “Me sinto muito sozinha e triste esta época”; “Sinto um aperto no coração, acabo ficando isolada”; “Não suporto as reuniões da família – eu por mim ia para um lugar mais afastado”; “Tem muito barulho, as pessoas ficam estranhas”; “Tudo fica parado, e triste, você não acha?”.

Como explicar este fenômeno que atinge parte da sociedade, onde pessoas sentem-se alheias, solitárias, tristes, numa época marcada por festejos, renovação de votos e reuniões com colegas, amigos e família?
Do ponto de vista psicológico pode-se apontar que este fenômeno encontra sua explicação em dois fatores principalmente: A comunhão com a família, amigos, colegas e naquilo que o final de ano marca, ou seja fechamento de ciclo, realização de metas e estabelecimento de novas metas, projetos.

Muitas vezes este questionamento se torna opressivo e angustiante: “o que eu fiz da minha vida pessoal, profissional, financeira, familiar e espiritual, nesse ano que passou? Quais as promessas que fiz, as metas que propus que consegui alcançar?”

Para muitos, o final de ano é marcado pelo fracasso e frustração da não realização de metas estabelecidas. Não se conseguiu a promoção desejada, não se parou de beber ou fumar, não se está satisfeito com o relacionamento, não se conseguiu desenvolver relacionamentos com amigos ou parceiros amorosos, não se alcançou o peso ou imagem corporal esperado, as dividas financeiras vão se somando, o ano foi marcado por cisões e desentendimentos, enfim não se alcançou aquilo que tanto foi desejado.

No final de ano fazemos, geralmente, consciente ou inconscientemente uma revisão de como foi o ano que passou e o que ficou marcado. Dessa forma, se para o sujeito ficaram marcados fracassos e dificuldades, seja na vida relacional, profissional ou mesmo em relação aos seus anseios pessoais, o final de ano se tornará um fardo pesado e indigesto.

Quanto ao retorno para o ambiente familiar, para a família de origem, nem sempre o mesmo é desejado ou possível, pois muitas vezes há tanta mágoa e rancor, que este festejo de final de ano é visto mais como uma obrigação desagradável ou um obstáculo intransponível, ao invés de um reencontro alegre. É fato que a capacidade de lidar com frustrações e dificuldades conta muito nesta situação. No entanto, percebemos que muitas pessoas se fragilizam e adoecem neste período exatamente por não suportar a pressão, interna e externa, que aponta para felicidade, sucesso e realizações.

No consultório, o terapeuta deve trabalhar com o paciente a tolerância à frustração e a motivação e persistência no estabelecimento e manutenção de metas e projetos de vida.

Por vezes, algumas crenças e imagens internas que a pessoa tem em relação a si e em relação ao mundo precisam ser revistas, trabalhadas e ressignificadas. Em outros casos, é preciso fazer um trabalho mais profundo com o paciente e até mesmo com seus familiares. Algumas feridas psíquicas são superficiais; outras são muito antigas e profundas. Assim, o tratamento deve considerar o indivíduo como um ser total, com seus desejos, expectativas, capacidades e dificuldades, como um ser inserido e em relação a um sistema maior: sua família, sua profissão, seus relacionamentos, seu meio cultural.

A angústia, frustração e sentimento de inadequação e incapacidade podem ser trabalhados e elaborados na medida em que o indivíduo buscar novas soluções e se disponibilizar a enfrentar seus medos e sombras. Embora o tratamento possa encontrar dificuldades e barreiras, ele é possível e pode possibilitar uma nova perspectiva e visão desta época do ano, do fechamento de um ciclo, para o início do novo, para a reinvenção de si mesmo!



Referência

René Schubert
Blog Psicoterapia, Psicanálise, Saúde Mental e Humanidades: http://www.reneschubert.blogspot.com/

domingo, 4 de dezembro de 2011

Acompanhamento Terapêutico : do consultório às atividades sociais

O Acompanhamento Terapêutico ( A.T.) é uma nova opção de tratamento à clientes que se encontram em um momento de intenso sofrimento psíquico. O Acompanhamento Terapêutico é um trabalho diferenciado em que o terapeuta (geralmente psicólogo clínico) acompanha o paciente nas mais diversas tarefas e atividades diárias, possibilitando-lhe lidar com as questões conflitantes, emergentes destas atividades.

Como o nome mesmo refere, o terapeuta acompanha seu cliente. Esse acompanhamento é tanto em seu ambiente familiar, de trabalho como em atividades ao ar livre, como passeios, atividades esportivas, culturais e outras.

O A.T. participa da reconstrução simbólica do sujeito após o desencadeamento da crise ou de um momento de intensa necessidade, por envolver certo sofrimento psíquico que paralisa ou prejudica a pessoa em suas atividades diárias.  Estando inserido em uma equipe de trabalho multiprofissional (psiquiatra, psicanalista, terapeuta familiar, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, entre outros), participa da construção de projetos terapêuticos singulares para cada cliente.

Geralmente o acompanhamento terapêutico é indicado pelo médico, profissional da saúde que esta acompanhando o caso, ou pelo próprio psicólogo que na entrevista inicial com o cliente avalia qual a melhor abordagem terapêutica para o caso. Sendo verificada a necessidade de acompanhamento terapêutico, o profissional elabora, juntamente com o cliente, um projeto terapêutico. Neste projeto serão apontadas e planejadas as questões a serem trabalhadas e as metas a serem alcançadas. Tal projeto será constantemente revisto e discutido com o cliente.

O A.T. demonstra ser um  recurso de reinclusão social cada vez mais utilizado no campo da saúde mental. Como clínica de articulação, visa o alívio do sofrimento por meio  do contorno dado em atividades sociais, culturais assim como a interrelação e a reinserção na realidade socio-cultural do cliente.  Seu campo de trabalho é o próprio espaço público, fora das instituições convencionais de tratamento ou consultórios.

Tal modalidade tem seu surgimento em aproximadamente 1971 a partir de sua implantação na Argentina - surgiu como alternativa de tratamento para pacientes crônicos que não respondiam ao tratamento convencional (baseado na internação com tempo indeterminado e grupos terapêuticos).

Juntamente com a Reforma Psiquiátrica  e a assim chamada Luta Antimanicomial o A.T. apresentou-se como uma possibilidade de efetivar algumas proposições destas últimas. Remetendo à afirmação de Ghertman (1997, p.233), “dentro da cena da saúde mental moderna o AT já aparece como peça fundamental na ajuda à desinstitucionalização de pacientes crônicos”.

A desinstitucionalização é algo fundamental para o tratamento contemporâneo, pois nesta busca-se estimular a autonomia e desenvolvimento do paciente, que é ativo em seu processo terapêutico, e não sua acomodação e dependência frente ao tratamento.

Tendo também em vista a LEI Nº 10.216, de 6 de abril de 2001, sobre as reformulações na política da Saúde Mental, assinada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso  no  Art. 4º, parágrafo um temos “ O tratamento visará, como finalidade permanente, a reinserção social do paciente em seu meio.”

            Assim como o Art. 5º : “ O paciente há longo tempo hospitalizado ou para o qual se caracterize situação de grave dependência institucional, decorrente de seu quadro clínico ou de ausência de suporte social, será objeto de política específica de alta planejada e reabilitação psicossocial assistida...”

Esta lei toca no trabalho de A.T. quando frisa a importância de se trabalhar a reabilitação psicossocial de pacientes institucionalizados em clinicas e hospitais psiquiátricos. A reinclusão social é o que objetiva o trabalho deste singular promotor da saúde mental.

Não que o trabalho deste profissional esteja vinculado exclusivamente à casos psiquiátricos – mas foi neste meio que teve sua origem. Hoje o A.T. desenvolve projetos com os mais diversos quadros clínicos, citando alguns: quadros depressivos, quadros fóbicos, depentes químicos, distúrbios alimentares, entre muitos outros.

As nomenclaturas que antecederam o A.T. foram muitas: “auxiliar psiquiátrico, atendente grude, amigo qualificado” e outras. A mudança na nomenclatura demostra a transformação da postura e atuação deste profissional. Deixou de ser mero acompanhante ou babá, para tornar-se um profissional que dará contornos e continência frente ao sofrimento psíquico de seu cliente por meio de intervenções, falas e gestos no espaço aberto da cidade.

            Esta modalidade de tratamento encontra-se hoje principalmente em instituições de saúde mental e consultórios psicológicos, nos quais tal trabalho destaca-se pelas contribuições feitas tanto nas discussões clinicas de caso, como no próprio projeto de reabilitação social do atendido.

            Ainda é difícil encontrar A.T.s que desenvolvam tal trabalho independentemente de uma equipe clinica, até porque sua inserção em uma equipe multiprofissional é fundamental, não só para o profissional, mas principalmente para o cliente. Como nos expõe Hermann (2001, pag.24) “É de fundamental importância que o trabalho em equipe se estabeleça e que, a heterogeneidade e cooperação dos profissionais envolvidos no caso sejam mantidas, para que o paciente perceba a existência de uma rede de profissionais articulados e com boa capacidade de contenção diante dos fenômenos psicóticos.”

            Coloca-se agora uma pergunta freqüente: o A.T. é uma espécie de babá?

            Definitivamente não. Dependendo do caso acompanhado pode-se até ter esta idéia, quando se olha este trabalho com olhos leigos e não se sabe o que está envolvido no acompanhamento. No caso de uma estrutura psicótica, o A.T. fará sim um trabalho de tradução da realidade, o que muitas vezes pode lembrar o cuidadoso trabalho de uma babá. Mas a escuta e o cuidado nos manejos são totalmente diversos. O objetivo é tornar o cliente ativo frente suas dificuldades e sofrimento para superá-los. O trabalho do A.T. leva em conta não permitir que o cliente fique dependente das soluções e formulações criadas pelo terapeuta, mas que desenvolva suas próprias. É preciso provocar o movimento de busca no cliente. Leva-lo às suas formulações, reflexões e invenções criativas em seu meio. Também saber pontuá-las, valorizando-as assim quando ocorrem, por isso a importância da escuta de um profissional clinico. É importante a atenção do acompanhante para não  transformar-se em modelo. Ele possivelmente será eleito pelo cliente como tal, mas não pode se basear só nisto para atuar clinicamente. 

            O projeto terapêutico antes elaborado com o terapeuta, será depois transformado em descobertas pessoais e linha guia para a vida do sujeito, desta maneira reforça-se a afirmação clinica feita por Jacques Lacan: “ O diagnóstico no início, é do analista, ao final, é do analisando”.

Agora remetendo à outra questão freqüente: O A.T. ocorre apenas com pacientes psicóticos, psiquiátricos? Ele é possível com paciente neuróticos ?

O A.T. não se restringe apenas a pacientes psicóticos. A diferença está principalmente no Projeto Terapêutico. Com um paciente psicótico o trabalho é a longo prazo e é na maioria das vezes uma construção visando a reabilitação e reinclusão psicossocial – o trabalho em equipe multiprofissional é importante.  No caso de pacientes neuróticos o trabalho é geralmente a curto prazo e a questão abordada é mais focal. Claro,  é importante fazer a ressalva de que isto varia de caso para caso. Na maioria das vezes o A.T. trabalhará fobias sociais, toxicomanias, distúrbios e transtornos em geral que impliquem um trabalho mais voltado às atividades diárias, de reinserção e reinclusão socio-cultural, para o restabelecimento e tratamento pleno do paciente.

Ainda haveria muito a se abordar sobre esta nova modalidade de tratamento, mas o presente trabalho não pretende estender-se muito, mas apenas servir de breve introdução.

            Encerra-se  esta exposição citando um trecho do livro Dom Quixote, de Miguel de Cervantes :
“A liberdade, Sancho, é um dos mais preciosos dons que aos homens deram os céus. A ela, não se podem igualar os tesouros que encerra a terra e o mar encobre; pela liberdade, assim como pela honra, pode-se e deve-se aventurar a vida. E, pelo contrario, o cativeiro é o maior mal que pode advir aos homens (..) Não existe na terra, conforme o meu parecer, contentamento que se iguale a alcançar a liberdade perdida.”

Referência Bibliográfica


CERVANTES, M. – Dom Quixote : o cavaleiro da triste figura. Adaptação em português de José Angeli. Editora Scipione, 18 ª edição, São Paulo, s.d.

GHERTMAN, A.  - A teorização no acompanhamento terapêutico: impasse ou ruptura? (1997). In: EQUIPE DE ATS DE A CASA (org.). Crise e cidade: acompanhamento terapêutico. São Paulo: Educ, p.233-240.

HERMANN, M.C. – Psiquiatria e psicopatologia: Acompanhamento Terapêutico. (2001) In: Revista Insight N º 116, São Paulo, Pag. 24 à 29

LEI Nº 10.216, DE 6 DE ABRIL DE 2001- Assinada por Fernando Henrique Cardoso em 6 de abril de 2001 abordando o novo modelo assistencial em saúde mental.

MAUER, S.K. e RESNIZKY, S. - Acompanhantes terapêuticos e pacientes psicóticos. (1987) Editora Papirus, Campinas, SP

CARVALHO, Sandra Silveira (2004). Acompanhamento Terapêutico: Que Clínica é Essa?. São Paulo: Annablume Editora.

SCHUBERT, R. - Tecendo o Imprevisível (2003) - apresentado na “I Jornada da Psicanálise Lacaniana” em 13 de dezembro de 2003. Sede do Instituto da Psicanálise Lacaniana (IPLA) sob coordenação de Margareth Ferraz e Jorge Forbes, São Paulo

PULICE, Gabriel e ROSSI, Gustavo (1997). Acompañamiente Terapéutico: Aproximaciones a su conceptualización, presentación de material clínico. Buenos Aires: Polemos Editorial. 161p.



Sobre o Autor:
Rene Schubert - Psicologo, Psicanalista e Acompanhante Terapêutico - schubert_rene@hotmail.com

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